{"id":20940,"date":"2026-11-05T14:53:55","date_gmt":"2026-11-05T17:53:55","guid":{"rendered":"https:\/\/calabriabr.com.br\/?p=20940"},"modified":"2026-11-05T14:53:55","modified_gmt":"2026-11-05T17:53:55","slug":"o-fim-da-escala-6x1-e-os-efeitos-que-vao-muito-alem-do-contrato-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/o-fim-da-escala-6x1-e-os-efeitos-que-vao-muito-alem-do-contrato-de-trabalho\/","title":{"rendered":"O fim da escala 6&#215;1 e os efeitos que v\u00e3o muito al\u00e9m do contrato de trabalho"},"content":{"rendered":"<p><em><b>Autor: <\/b><a href=\"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/o-escritorio\/sobre-nos\/alfredo-jose-de-rossi-ferreira\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Alfredo Jos\u00e9 de Rossi Ferreira<\/span><\/a><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde que a Emenda Constitucional n\u00ba 141\/2026 foi aprovada na C\u00e2mara dos Deputados, vejo, na imprensa de grande circula\u00e7\u00e3o, estamparem em not\u00edcias e manchetes a frase: \u201cagora o trabalhador vai trabalhar menos\u201d. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 compreens\u00edvel e, em parte, verdadeira. Mas ela esconde uma nuance que, se ignorada, tende a gerar frustra\u00e7\u00e3o de um lado e desorganiza\u00e7\u00e3o do outro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Daqui a alguns dias, em 16 de dezembro, passaremos a viver um novo paradigma social, eis que passa a valer a escala 5&#215;2, com dois descansos semanais remunerados, e o limite semanal de jornada cai de 44 para 42 horas. Doze meses depois, chega-se \u00e0s 40 horas semanais. N\u00e3o h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o salarial e o limite de oito horas di\u00e1rias de trabalho permanece inalterado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pois bem. A quest\u00e3o que me inquieta \u2013 a qual quase n\u00e3o vejo sendo abordada em infinitos artigos e not\u00edcias \u2013 \u00e9 o impacto no cotidiano que essa mudan\u00e7a pode gerar e como isso afeta o dia<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">a dia nas empresas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pense em um empregado que hoje cumpre 44 horas semanais em seis dias de trabalho (de segunda-feira a s\u00e1bado). Ainda que diversos arranjos de jornada sejam poss\u00edveis nesse sistema, usualmente a escala de trabalho desse trabalhador \u00e9 de 08h00 di\u00e1rias de segunda a sexta-feira, com 04h00 aos s\u00e1bados, ou 08h48 de segunda a sexta-feira, com as horas do s\u00e1bado compensadas ao longo da semana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o fim da escala 6&#215;1, as horas semanais (42h e, depois, 40h) dever\u00e3o ser acomodadas em cinco dias. Mantido o limite constitucional de oito horas por dia, a alternativa mais segura, na falta de negocia\u00e7\u00e3o coletiva, s\u00e3o cinco jornadas de oito horas, o que implica em ajustar o contrato de trabalho \u00e0 uma condi\u00e7\u00e3o melhor que a prevista em lei. Por outro lado, aproveitar as 42 horas da transi\u00e7\u00e3o em cinco dias significa jornadas de 8h24, e a emenda remeteu essa amplia\u00e7\u00e3o do limite di\u00e1rio \u00e0 conven\u00e7\u00e3o ou ao acordo coletivo, o que torna arriscada a via do simples acordo individual de compensa\u00e7\u00e3o \u2014 tema que certamente ainda render\u00e1 bons debates.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em outras palavras, a semana encolher\u00e1, mas, para muitos trabalhadores, a jornada di\u00e1ria de trabalho crescer\u00e1. Sim, ganha-se um dia livre. Mas cada um dos outros cinco dias ficar\u00e1 mais longo. Quem vende a ideia de que \u201cningu\u00e9m vai mais trabalhar tanto\u201d est\u00e1, no m\u00ednimo, simplificando.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Extrapolando o tema para al\u00e9m dos limites do contrato de trabalho, devemos refletir tamb\u00e9m no que essa mudan\u00e7a pode implicar na vida cotidiana de todos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se o fim da jornada passar das 17h para as 18h, a m\u00e3e que buscava o filho na escola precisa reorganizar a rotina; a creche talvez precise rever hor\u00e1rios; e o transporte p\u00fablico, cujas linhas e hor\u00e1rios foram pensados para os turnos atuais, pode precisar se adaptar a um novo pico de passageiros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No com\u00e9rcio e nos servi\u00e7os que funcionam seis ou sete dias por semana, o desafio \u00e9 ainda maior, uma vez que manter o estabelecimento aberto pelo mesmo per\u00edodo praticado hoje exigir\u00e1 um ajuste no quadro de funcion\u00e1rios, desenhar revezamentos mais complexos \u2013 buscando acomodar os dois DSRs \u2013 e, em alguns casos, repensar o pr\u00f3prio hor\u00e1rio de funcionamento. Restaurantes, academias e pequenos neg\u00f3cios ser\u00e3o afetados duplamente, tanto pela mudan\u00e7a no fluxo de clientes, que passar\u00e3o a ter outros hor\u00e1rios e dias livres, quanto pela necessidade de reorganizar suas pr\u00f3prias equipes \u00e0s novas regras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A cidade, enfim, organiza-se em torno do hor\u00e1rio de trabalho \u2014 e ele est\u00e1 prestes a mudar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ideia de reduzir o volume de trabalho \u00e9, sim, positiva. Mais tempo para descanso, fam\u00edlia e sa\u00fade costuma se traduzir em trabalhadores mais engajados e produtivos. O problema nunca esteve no objetivo pretendido, mas na forma como se pretende alcan\u00e7\u00e1-lo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma mudan\u00e7a desse porte mereceria transi\u00e7\u00e3o mais longa, aten\u00e7\u00e3o \u00e0s particularidades de cada setor e medidas de apoio, sobretudo \u00e0s pequenas empresas. Como isso n\u00e3o veio do debate legislativo, caber\u00e1 \u00e0s empresas planejar com cuidado a sua pr\u00f3pria adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas regras, e quanto antes, melhor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O prazo de sessenta dias para o in\u00edcio efetivo das altera\u00e7\u00f5es \u00e9 curto para uma altera\u00e7\u00e3o estrutural, e o primeiro passo \u00e9 mapear as escalas atuais e simular a nova distribui\u00e7\u00e3o de jornada, setor por setor. Os acordos de compensa\u00e7\u00e3o devem ser formalizados com cuidado, e o di\u00e1logo com o sindicato da categoria pode abrir caminhos que a lei, sozinha, n\u00e3o oferece. Vale tamb\u00e9m colocar na ponta do l\u00e1pis o novo custo da hora trabalhada, sobretudo para os empregados que trabalham no regime horista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1, ainda, um cuidado que costuma ficar em segundo plano e que faz toda a diferen\u00e7a, que \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o transparente com a equipe. Quando o empregado entende desde o in\u00edcio que ter\u00e1 mais folgas, mas ter\u00e1 dias de trabalho mais longos ou ter\u00e1 de trabalhar em dias que normalmente n\u00e3o trabalharia, a mudan\u00e7a deixa de soar como uma promessa descumprida. Essa clareza evita desgastes internos e previne conflitos trabalhistas.<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">05\/11\/2026<\/span><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Alfredo Jos\u00e9 de Rossi Ferreira Desde que a Emenda Constitucional n\u00ba 141\/2026 foi aprovada na C\u00e2mara dos Deputados, vejo, na imprensa de grande circula\u00e7\u00e3o, estamparem em not\u00edcias e manchetes a frase: \u201cagora o trabalhador vai trabalhar menos\u201d. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 compreens\u00edvel e, em parte, verdadeira. 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