{"id":20874,"date":"2026-10-02T10:58:45","date_gmt":"2026-10-02T13:58:45","guid":{"rendered":"https:\/\/calabriabr.com.br\/?p=20874"},"modified":"2026-10-02T10:58:45","modified_gmt":"2026-10-02T13:58:45","slug":"stj-acao-de-exigir-contas-contra-socio-administrador-dispensa-registro-no-contrato-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/stj-acao-de-exigir-contas-contra-socio-administrador-dispensa-registro-no-contrato-social\/","title":{"rendered":"STJ: a\u00e7\u00e3o de exigir contas contra s\u00f3cio-administrador dispensa registro no contrato social"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) firmou um importante entendimento na intersec\u00e7\u00e3o entre o Direito Societ\u00e1rio e o Direito de Fam\u00edlia. O colegiado decidiu que a legitimidade para ajuizar uma a\u00e7\u00e3o de exigir contas contra um s\u00f3cio-administrador n\u00e3o exige que o autor da demanda esteja formalmente inscrito no contrato social da empresa. Para o tribunal, a comprova\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo jur\u00eddico \u00e9 requisito suficiente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O caso concreto teve origem na dissolu\u00e7\u00e3o de um casamento. Em decorr\u00eancia de uma separa\u00e7\u00e3o consensual, a ex-esposa passou a deter um percentual do capital social de uma empresa. O acordo estabelecia que o ex-marido, s\u00f3cio-administrador, deveria promover a altera\u00e7\u00e3o do contrato social para formalizar a inclus\u00e3o da nova s\u00f3cia. Contudo, essa etapa foi descumprida e s\u00f3 ocorreu anos fora do prazo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao ingressar com a a\u00e7\u00e3o para exigir a presta\u00e7\u00e3o de contas, a autora sofreu um rev\u00e9s no Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP). A corte estadual havia limitado o escopo das informa\u00e7\u00f5es apenas ao per\u00edodo em que ela constou formalmente no quadro societ\u00e1rio registrado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No julgamento do recurso especial, o STJ reformou a decis\u00e3o paulista. O ministro relator, Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, fundamentou que a exist\u00eancia e a efic\u00e1cia interna de uma sociedade n\u00e3o dependem exclusivamente da sua regulariza\u00e7\u00e3o documental perante a Junta Comercial. O ministro enfatizou que a finalidade principal do registro p\u00fablico \u00e9 conferir publicidade e produzir efeitos perante terceiros, n\u00e3o sendo uma condi\u00e7\u00e3o para negar direitos inerentes ao chamado \u201cs\u00f3cio de fato\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a decis\u00e3o, o documento de separa\u00e7\u00e3o consensual bastou para comprovar a titularidade das quotas e demonstrar o interesse processual da autora. Com isso, o STJ reconheceu o direito \u00e0 exig\u00eancia da presta\u00e7\u00e3o de contas de todo o per\u00edodo, desde a dissolu\u00e7\u00e3o do casamento at\u00e9 a efetiva altera\u00e7\u00e3o contratual, respeitando-se o prazo prescricional legal de dez anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Este precedente refor\u00e7a a prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica ao direito de fiscaliza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio, garantindo que formalidades registrais n\u00e3o sejam utilizadas como escudo para evitar a transpar\u00eancia na administra\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">02\/10\/2026<\/span><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) firmou um importante entendimento na intersec\u00e7\u00e3o entre o Direito Societ\u00e1rio e o Direito de Fam\u00edlia. 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