{"id":19915,"date":"2025-07-21T12:18:51","date_gmt":"2025-07-21T15:18:51","guid":{"rendered":"https:\/\/calabriabr.com.br\/?p=19915"},"modified":"2025-07-21T12:18:51","modified_gmt":"2025-07-21T15:18:51","slug":"selic-sera-substituida-pelo-ipca-como-indice-de-correcao-dos-depositos-judiciais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/selic-sera-substituida-pelo-ipca-como-indice-de-correcao-dos-depositos-judiciais\/","title":{"rendered":"SELIC ser\u00e1 substitu\u00edda pelo IPCA como \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos judiciais"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Semana passada, foi publicada a Portaria MF n\u00ba 1.430\/2025, que disp\u00f5e sobre a altera\u00e7\u00e3o do \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria dos dep\u00f3sitos judiciais vinculados \u00e0 discuss\u00e3o de tributos federais, norma esta muito aguardada ap\u00f3s a Lei Federal n\u00ba 14.973, no final do ano passado, j\u00e1 anunciar que o levantamento de valores seria corrigido por <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00edndice oficial que reflita a infla\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Art. 37, II), embora sem indicar qual o \u00edndice e a partir de quando seria aplicado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Minist\u00e9rio da Fazenda, com a Portaria, encerrou o mist\u00e9rio ao determinar que a <\/span><b>SELIC<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00edndice atual aplicado desde 1988 e que tamb\u00e9m \u00e9 utilizado para corre\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos federais, ser\u00e1 substitu\u00edda pelo <\/span><b>IPCA<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00edndice oficial de infla\u00e7\u00e3o no Brasil, devendo tal altera\u00e7\u00e3o ser aplicada apenas aos novos dep\u00f3sitos realizados a partir do ano que vem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A medida, em um primeiro momento, parece beneficiar a Fazenda Nacional, j\u00e1 que o \u00edndice inflacion\u00e1rio adotado, em um acumulado anual, chega a ser 6 pontos percentuais menor <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">do<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> que o \u00edndice de juros anterior\u00b9<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Isso significa que quando a Uni\u00e3o perder e os valores forem levantados pelo contribuinte, a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria ser\u00e1 menor do que quando este for obrigado a pagar seus d\u00e9bitos tribut\u00e1rios federais, representando evidentemente desrespeito ao princ\u00edpio da isonomia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Considerando os percentuais atuais, o contribuinte que opte pelo dep\u00f3sito judicial, caso perca, ainda ter\u00e1 de complementar o valor referente \u00e0 diferen\u00e7a do \u00edndice corrigido (IPCA) e o \u00edndice devido pelo d\u00e9bito tribut\u00e1rio (SELIC).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como consequ\u00eancia deste tratamento desigual, surge um novo problema. Por for\u00e7a do enunciado n\u00ba 112 da S\u00famula do STJ, o dep\u00f3sito judicial somente suspende a exigibilidade do cr\u00e9dito quando for integral e em dinheiro. Tendo em vista a diferen\u00e7a de \u00edndice adotado, poderia a Uni\u00e3o exigir a complementa\u00e7\u00e3o referente \u00e0 corre\u00e7\u00e3o, para fins de suspens\u00e3o, visto que o valor depositado em ju\u00edzo, corrigido pelo IPCA, estaria aqu\u00e9m do cr\u00e9dito devido, corrigido pela SELIC?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pergunta pode parecer absurda, mas em um cen\u00e1rio de \u00e2nsia arrecadat\u00f3ria e morosidade do contencioso brasileiro, tal diferen\u00e7a pode representar um valor consider\u00e1vel, o que justificaria a exig\u00eancia at\u00e9 como forma de coagir o contribuinte a complementar o valor a fim de que a exigibilidade do cr\u00e9dito possa permanecer suspensa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Da mesma forma, n\u00e3o parece adequada a mudan\u00e7a de \u00edndice sob a justificativa de que o dep\u00f3sito judicial, corrigido pela SELIC, possa funcionar como forma de investimento financeiro e estimular o n\u00e3o pagamento do tributo, pois, em contrapartida, a op\u00e7\u00e3o pelo dep\u00f3sito pressup\u00f5e que tal quantia ser\u00e1 retirada do fluxo de caixa da empresa, podendo representar custo de oportunidade. Ainda, h\u00e1 desvantagem atrelada ao fator temporal, uma vez que o valor s\u00f3 poderia ser levantado ap\u00f3s decis\u00e3o judicial definitiva e favor\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora, com a nova norma, a din\u00e2mica se alterou e o contribuinte precisar\u00e1 reavaliar com aten\u00e7\u00e3o a viabilidade do dep\u00f3sito judicial em compara\u00e7\u00e3o com outras medidas como, por exemplo, o seguro-garantia ou a fian\u00e7a banc\u00e1ria, demandando, acima de tudo, uma estrat\u00e9gia jur\u00eddica e financeira na discuss\u00e3o judicial tribut\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<h6><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00b9Utilizando como base a data de publica\u00e7\u00e3o do texto 17\/07\/2025: IPCA acumulado nos \u00faltimos 12 meses = 5,35% e SELIC acumulada em 12 meses = 12,55%<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Autor: Rodolfo Ara\u00fajo Fernandes<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semana passada, foi publicada a Portaria MF n\u00ba 1.430\/2025, que disp\u00f5e sobre a altera\u00e7\u00e3o do \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria dos dep\u00f3sitos judiciais vinculados \u00e0 discuss\u00e3o de tributos federais, norma esta muito aguardada ap\u00f3s a Lei Federal n\u00ba 14.973, no final do ano passado, j\u00e1 anunciar que o levantamento de valores seria corrigido por \u00edndice oficial [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15863,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-19915","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tributario"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19915"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19915\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19920,"href":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19915\/revisions\/19920"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15863"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}