{"id":19846,"date":"2025-05-23T14:23:38","date_gmt":"2025-05-23T17:23:38","guid":{"rendered":"https:\/\/calabriabr.com.br\/?p=19846"},"modified":"2025-05-23T14:23:38","modified_gmt":"2025-05-23T17:23:38","slug":"arrendatario-com-direito-a-indenizacao-por-benfeitorias-nao-pode-exercer-retencao-apos-despejo-superior-tribunal-de-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/arrendatario-com-direito-a-indenizacao-por-benfeitorias-nao-pode-exercer-retencao-apos-despejo-superior-tribunal-de-justica\/","title":{"rendered":"Arrendat\u00e1rio com direito a indeniza\u00e7\u00e3o por benfeitorias n\u00e3o pode exercer reten\u00e7\u00e3o ap\u00f3s despejo (Superior Tribunal de Justi\u00e7a)."},"content":{"rendered":"<div class=\"conteudo_detalhe container\">\n<div id=\"pstj_tabContCentro\" class=\"row\">\n<div id=\"pstj_elContRightMenu\" class=\"col-lg-10\" data-anchor=\"conteudo\">\n<div class=\"bloco_conteudo\">\n<div id=\"pstj_blocoConteudoCentral\" class=\"row bloco_conteudo_noticias\">\n<div class=\"bloco_esq col-lg-8\">\n<div id=\"corpoDaNoticiaBox\" class=\"conteudo_texto\">\n<div id=\"ctl00_PlaceHolderMain_ctl07__ControlWrapper_RichHtmlField\" class=\"ms-rtestate-field\" aria-labelledby=\"ctl00_PlaceHolderMain_ctl07_label\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200bA Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, por unanimidade, que o arrendat\u00e1rio rural que tem direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por benfeitorias \u00fateis e necess\u00e1rias n\u00e3o pode exercer o direito de reten\u00e7\u00e3o ap\u00f3s ter sido despejado do im\u00f3vel por decis\u00e3o judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O entendimento foi firmado no julgamento de um caso em que, ap\u00f3s o fim do contrato de arrendamento rural, os propriet\u00e1rios notificaram a empresa ocupante sobre a retomada do im\u00f3vel. Sem acordo sobre a indeniza\u00e7\u00e3o pelas benfeitorias realizadas, foi ajuizada a\u00e7\u00e3o de despejo, e a empresa arrendat\u00e1ria, em resposta, prop\u00f4s a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria para garantir a posse at\u00e9 o pagamento das melhorias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"termo-glossario\" data-match=\"liminar\" data-termo=\"Liminar\" data-significado=\"Decis\u00e3o judicial provis\u00f3ria, em car\u00e1ter de urg\u00eancia.\">Liminar<\/span>\u00a0concedida aos propriet\u00e1rios em primeira inst\u00e2ncia determinou a desocupa\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, medida que foi devidamente cumprida. Anos depois, o ju\u00edzo reconheceu o direito da empresa \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o pelas benfeitorias, mas negou o direito de reten\u00e7\u00e3o, sob o argumento de que a posse j\u00e1 havia sido perdida bastante tempo antes e que eventual reintegra\u00e7\u00e3o causaria tumulto no uso regular da propriedade. O Tribunal de Justi\u00e7a de Mato Grosso (TJMT) confirmou a decis\u00e3o, sustentando que a restitui\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel era irrevers\u00edvel e que existiriam meios menos gravosos para assegurar o cr\u00e9dito da empresa.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Reten\u00e7\u00e3o \u00e9 uma garantia do pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao recorrer ao STJ, a empresa alegou viola\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l4504.htm#art95\">artigo 95, inciso VIII, do Estatuto da Terra (Lei 4.504\/1964)<\/a>\u00a0e do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1219\">artigo 1.219 do C\u00f3digo Civil (CC)<\/a>, defendendo que o reconhecimento do direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o implica, necessariamente, a possibilidade de exerc\u00edcio do direito de reten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ministra Nancy Andrighi, relatora do caso, destacou que o artigo 1.219 do\u00a0<span class=\"ignorar-glossario\" data-match=\"##cc##\">CC<\/span>\u00a0assegura ao possuidor de boa-f\u00e9 o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o pelas benfeitorias necess\u00e1rias e \u00fateis, al\u00e9m de permitir o levantamento das voluptu\u00e1rias que n\u00e3o lhe forem pagas, desde que possa faz\u00ea-lo sem causar danos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ministra ressaltou que o dispositivo tamb\u00e9m confere ao possuidor o direito de reten\u00e7\u00e3o pelo valor das benfeitorias, o que funciona como uma forma de garantia do cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Sem a posse, falta o requisito essencial que fundamenta a garantia da reten\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a relatora enfatizou que o direito de reten\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e a posse atual do im\u00f3vel, sendo prerrogativa exclusiva do possuidor de boa-f\u00e9. Ao citar os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1196\">artigos 1.196<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1223\">1.223 do CC<\/a>, Nancy Andrighi esclareceu que, mesmo quando a perda da posse ocorre por decis\u00e3o judicial, h\u00e1 a cessa\u00e7\u00e3o dos poderes inerentes \u00e0 propriedade, o que afasta a possibilidade de exercer o direito de reten\u00e7\u00e3o. Segundo ela, sem a posse, falta o requisito essencial que fundamenta essa garantia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, a ministra esclareceu que nem o C\u00f3digo Civil nem o Estatuto da Terra autorizam que o antigo arrendat\u00e1rio, j\u00e1 desalojado do im\u00f3vel, retome a posse para assegurar o pagamento das benfeitorias. Segundo afirmou, a legisla\u00e7\u00e3o condiciona o direito de reten\u00e7\u00e3o \u00e0 continuidade da posse, n\u00e3o prevendo qualquer hip\u00f3tese de reintegra\u00e7\u00e3o como meio de garantir o cr\u00e9dito indenizat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Portanto, o direito de reten\u00e7\u00e3o somente pode ser exercido por quem \u00e9 possuidor de boa-f\u00e9. Aquele que perde a posse, mesmo que contra a sua vontade, deixa de fazer jus a esta garantia legal. Isso, contudo, n\u00e3o obsta o direito do antigo possuidor de ser indenizado pelas benfeitorias necess\u00e1rias e \u00fateis&#8221;, conclui ao negar\u00a0<span class=\"termo-glossario\" data-match=\"provimento\" data-termo=\"Provimento\" data-significado=\"Ato de prover. Dar provimento a recurso significa acolher o pedido para reformar ou anular decis\u00e3o judicial anterior. No direito administrativo, \u00e9 o ato de preencher vaga no servi\u00e7o p\u00fablico.\">provimento<\/span>\u00a0ao\u00a0<span class=\"termo-glossario\" data-match=\"recurso especial\" data-termo=\"Recurso Especial\" data-significado=\"O recurso especial (sigla REsp) \u00e9 dirigido ao STJ para contestar poss\u00edvel m\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o da lei federal por um tribunal de segundo grau. Assim, o REsp serve para que o STJ uniformize a interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o federal em todo o pa\u00eds.\">recurso especial<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=309151808&amp;registro_numero=202402505524&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20250425&amp;formato=PDF\">Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 2.156.451<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"pstj_elContProcessosRelacionados\" class=\"obj_texto_label_processos\"><span class=\"texto\">Esta not\u00edcia refere-se ao(s)\u00a0<span class=\"destaque\">processo(s):<\/span><\/span><span id=\"pstj_elContItensProcessosRelacionados\" class=\"obj_textos_rel_processos\"><a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%202156451\" target=\"janela_processos\">REsp 2156451<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"glossario-acessib esconder-acessib\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/2025\/23052025-Arrendatario-com-direito-a-indenizacao-por-benfeitorias-nao-pode-exercer-retencao-apos-despejo-.aspx#pstj_elContTitNoticia\">Voltar para o in\u00edcio da not\u00edcia<\/a><\/p>\n<div>Saiba o significado de termos publicados nesta not\u00edcia:<\/div>\n<ul class=\"termos-acessib\">\n<li>1\u00ba termo &#8211; Liminar:\u00a0Decis\u00e3o judicial provis\u00f3ria, em car\u00e1ter de urg\u00eancia.<\/li>\n<li>2\u00ba termo &#8211; Provimento:\u00a0Ato de prover. Dar provimento a recurso significa acolher o pedido para reformar ou anular decis\u00e3o judicial anterior. No direito administrativo, \u00e9 o ato de preencher vaga no servi\u00e7o p\u00fablico.<\/li>\n<li>3\u00ba termo &#8211; Recurso Especial:\u00a0O recurso especial (sigla REsp) \u00e9 dirigido ao STJ para contestar poss\u00edvel m\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o da lei federal por um tribunal de segundo grau. Assim, o REsp serve para que o STJ uniformize a interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o federal em todo o pa\u00eds.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container text-center atualizacao-div\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"m-3\"><span class=\"atualizacao\">Unidade respons\u00e1vel:<\/span>\u00a0Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u200bA Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, por unanimidade, que o arrendat\u00e1rio rural que tem direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por benfeitorias \u00fateis e necess\u00e1rias n\u00e3o pode exercer o direito de reten\u00e7\u00e3o ap\u00f3s ter sido despejado do im\u00f3vel por decis\u00e3o judicial. 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