{"id":19614,"date":"2025-03-10T08:22:30","date_gmt":"2025-03-10T11:22:30","guid":{"rendered":"https:\/\/calabriabr.com.br\/?p=19614"},"modified":"2025-03-10T08:22:30","modified_gmt":"2025-03-10T11:22:30","slug":"socios-administradores-sao-absolvidos-da-acusacao-de-reduzir-tributos-atraves-de-declaracoes-falsas-tribunal-regional-federal-da-4-a-regiao-rs-sc-e-pr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/socios-administradores-sao-absolvidos-da-acusacao-de-reduzir-tributos-atraves-de-declaracoes-falsas-tribunal-regional-federal-da-4-a-regiao-rs-sc-e-pr\/","title":{"rendered":"S\u00f3cios-administradores s\u00e3o absolvidos da acusa\u00e7\u00e3o de reduzir tributos atrav\u00e9s de declara\u00e7\u00f5es falsas (Tribunal Regional Federal da 4 \u00aa Regi\u00e3o &#8211; RS, SC e PR)."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A 5\u00aa Vara Federal de Caxias do Sul (RS) absolveu dois s\u00f3cios-administradores de uma ind\u00fastria de m\u00f3veis da acusa\u00e7\u00e3o de cometer crime contra a ordem tribut\u00e1ria. A materialidade e autoria do delito foram comprovadas, mas o dolo, n\u00e3o. A senten\u00e7a, publicada na quarta-feira (5\/3), \u00e9 do juiz J\u00falio C\u00e9sar Souza dos Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) denunciou os dois homens narrando que eles, na condi\u00e7\u00e3o de s\u00f3cios-administradores da empresa, reduziram quase R$2 milh\u00f5es em Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) por meio de declara\u00e7\u00f5es falsas \u00e0s autoridades fazend\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suas defesas, os acusados alegaram que o dolo n\u00e3o ficou suficientemente comprovado. Um deles afirmou que a empresa fazia jus ao creditamento do IPI e que n\u00e3o agiu com vontade livre e consciente de fraudar o fisco, mas seguiu as orienta\u00e7\u00f5es da empresa de consultoria contratada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao analisar o caso, o magistrado pontuou que, \u201csegundo a fiscaliza\u00e7\u00e3o, a empresa emitia notas fiscais de entrada falsas com destaque de IPI, creditando,\u00a0posteriormente, esses valores destacados\u00a0indevidamente nas notas fiscais\u00a0em sua escritura\u00e7\u00e3o fiscal para dedu\u00e7\u00e3o do valor mensal devido. O valor do IPI indevidamente destacado na nota fiscal referia-se ao cr\u00e9dito de IPI de exerc\u00edcios anteriores que a empresa, com orienta\u00e7\u00e3o da consultoria tribut\u00e1ria, havia definido como pass\u00edvel de compensa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juiz ressaltou que este procedimento \u00e9 completamente irregular, pois n\u00e3o segue o que determina a legisla\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. \u201cIsso porque, tratando-se de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios de exerc\u00edcios anteriores, o correto seria fazer\u00a0a sua escritura\u00e7\u00e3o na contabilidade, em conta pr\u00f3pria, para a posterior declara\u00e7\u00e3o de\u00a0compensa\u00e7\u00e3o, sujeita a homologa\u00e7\u00e3o da autoridade fiscal. Se os cr\u00e9ditos n\u00e3o fossem l\u00edquidos e certos, deveriam ser submetidos ao contradit\u00f3rio administrativo ou judicial para a defini\u00e7\u00e3o acerca da sua exist\u00eancia efetiva, e\u00a0em caso positivo, poderiam ser compensados ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele ainda sublinhou que o procedimento adotado pela empresa \u201c\u00e9 flagrantemente impr\u00f3prio, pois, al\u00e9m de estar em desacordo com a legisla\u00e7\u00e3o, era baseada em notas fiscais falsas\u00a0e cr\u00e9ditos duvidosos\u201d. Assim, ele considerou que a materialidade delitiva estava comprovada, \u201cpois, para al\u00e9m das notas fiscais falsas, todas as declara\u00e7\u00f5es de tributos embasadas naqueles\u00a0documentos fiscais restaram contaminadas por\u00a0cr\u00e9ditos indevidamente lan\u00e7ados, o que resultou na supress\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o dos tributos devidos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 autoria, a prova apresentada nos autos demonstra que ambos r\u00e9us eram os efetivos respons\u00e1veis pela administra\u00e7\u00e3o da empresa no per\u00edodo narrado na den\u00fancia e, portanto, concorreram para o cometimento do delito. \u201cTratando-se de crimes tribut\u00e1rios, s\u00e3o autores do crime todos aqueles que possuem poderes de dire\u00e7\u00e3o e de administra\u00e7\u00e3o, fixando as diretrizes a serem seguidas, assim como aqueles que praticam conscientemente atos execut\u00f3rios, operacionalizando a fraude\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, quanto ao dolo, para o juiz, n\u00e3o ficou suficientemente demonstrado que os r\u00e9us, conscientemente, optaram por reduzir o pagamento de tributos mediante fraude. Segundo ele, a prova juntada nos autos \u201cdemonstra que a emiss\u00e3o de notas fiscais com destaque de IPI para fins de creditamento e redu\u00e7\u00e3o do imposto a pagar decorreu de orienta\u00e7\u00e3o da empresa de consultoria tribut\u00e1ria contratada pelos acusados para fins de revis\u00e3o de tributos, (&#8230;) que era reconhecida entre os empres\u00e1rios da serra ga\u00facha como detentora de\u00a0expertise\u00a0na seara tribut\u00e1ria, notadamente na recupera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos extempor\u00e2neos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O magistrado pontuou que os depoimentos de contadores da ind\u00fastria de m\u00f3veis e de um empres\u00e1rio que tamb\u00e9m contratou o servi\u00e7o de consultoria tribut\u00e1ria apontaram que a operacionaliza\u00e7\u00e3o do creditamento de IPI era realizado sob a orienta\u00e7\u00e3o da empresa de consultoria que, inclusive, alertava os clientes sobre a necessidade de proceder exatamente conforme as orienta\u00e7\u00f5es por ela transmitidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, para o juiz, \u201ch\u00e1 d\u00favida consider\u00e1vel de que os r\u00e9us, conscientemente, tenham determinado ou anu\u00eddo com a emiss\u00e3o de notas fiscais inid\u00f4neas para creditamento de IPI e, consequentemente, prestado informa\u00e7\u00f5es falsas no intuito de sonegar tributos, circunst\u00e2ncia que afasta a comprova\u00e7\u00e3o do dolo\u201d. Ele ressaltou que as esferas tribut\u00e1ria e criminal s\u00e3o independentes e regidas por princ\u00edpios e regras diversos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA\u00a0responsabiliza\u00e7\u00e3o penal exige a comprova\u00e7\u00e3o do dolo (&#8230;). E tal demonstra\u00e7\u00e3o demanda a produ\u00e7\u00e3o de arcabou\u00e7o\u00a0probat\u00f3rio\u00a0consistente, pois a condena\u00e7\u00e3o criminal n\u00e3o prescinde da\u00a0supera\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o a todos os elementos do tipo (inclusive o dolo),\u00a0do\u00a0standard\u00a0probat\u00f3rio\u00a0de prova para al\u00e9m de d\u00favida razo\u00e1vel.\u00a0Em uma palavra: o dolo n\u00e3o pode ser intu\u00eddo, precisa ser devidamente provado\u201d. Ele julgou improcedente a a\u00e7\u00e3o absolvendo os s\u00f3cios-administradores das acusa\u00e7\u00f5es. Cabe recurso da decis\u00e3o ao Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nucom\/JFRS (secos@jfrs.jus.br)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Tribunal Regional Federal da 4 \u00aa Regi\u00e3o &#8211; RS, SC e PR<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 5\u00aa Vara Federal de Caxias do Sul (RS) absolveu dois s\u00f3cios-administradores de uma ind\u00fastria de m\u00f3veis da acusa\u00e7\u00e3o de cometer crime contra a ordem tribut\u00e1ria. A materialidade e autoria do delito foram comprovadas, mas o dolo, n\u00e3o. A senten\u00e7a, publicada na quarta-feira (5\/3), \u00e9 do juiz J\u00falio C\u00e9sar Souza dos Santos. 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