{"id":19380,"date":"2024-12-16T08:54:16","date_gmt":"2024-12-16T11:54:16","guid":{"rendered":"https:\/\/calabriabr.com.br\/?p=19380"},"modified":"2024-12-16T08:54:16","modified_gmt":"2024-12-16T11:54:16","slug":"briga-entre-colegas-termina-em-justa-causa-por-ofensas-racistas-tribunal-superior-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/briga-entre-colegas-termina-em-justa-causa-por-ofensas-racistas-tribunal-superior-do-trabalho\/","title":{"rendered":"Briga entre colegas termina em justa causa por ofensas racistas (Tribunal Superior do Trabalho)."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Embora as ofensas fossem rec\u00edprocas, a 3\u00aa Turma considerou que o racismo justifica a puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Uma auxiliar de desossa foi demitida por justa causa ap\u00f3s uma discuss\u00e3o com uma colega em que fez ofensas de cunho racial.<\/li>\n<li>O TRT considerou a demiss\u00e3o injusta, alegando que as duas trabalhadoras cometeram infra\u00e7\u00f5es e deveriam ser punidas da mesma forma.<\/li>\n<li>A Terceira Turma do TST, no entanto, considerou que as ofensas racistas da trabalhadora demitida eram mais graves e justificavam a penalidade.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n16\/12\/2024 &#8211; A Terceira Turma do Tribunal Superior restabeleceu a dispensa por justa causa de uma auxiliar de desossa da BH Foods Com\u00e9rcio e Ind\u00fastria Ltda., de Contagem (MG), por ofensas racistas a uma colega durante uma discuss\u00e3o no vesti\u00e1rio. Para o colegiado, embora a conduta das duas seja reprov\u00e1vel, a aplica\u00e7\u00e3o da penalidade mais severa a essa empregada se justifica porque sua falta \u00e9 caracterizada como pr\u00e1tica racista.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Briga no vesti\u00e1rio teve xingamentos rec\u00edprocos<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a auxiliar, a discuss\u00e3o ocorreu no final da jornada de trabalho noturno por causa de espa\u00e7o em um banco do vesti\u00e1rio. Ela teria falado para a colega respeitar seu espa\u00e7o, e a outra a teria chamado de gorda e dito que \u201cse quisesse espa\u00e7o deveria emagrecer\u201d. Ela ent\u00e3o reagiu chamando a colega de \u201cfeia\u201d e \u201cperuquenta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na a\u00e7\u00e3o, ela alegou que a justa causa foi arbitr\u00e1ria e desproporcional e que agiu em leg\u00edtima defesa em rela\u00e7\u00e3o aos insultos da colega. Argumentou ainda que a colega n\u00e3o foi tratada com o mesmo rigor.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Ofensas passaram dos limites aceit\u00e1veis<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ju\u00edzo de primeiro grau confirmou a dispensa com base na gravidade das ofensas. Uma das testemunhas relatou que ela teria dito que a colega \u201cparecia uma macaca\u201d e que seu cabelo era \u201cuma peruca de pl\u00e1stico\u201d. Outra n\u00e3o s\u00f3 confirmou os xingamentos como tamb\u00e9m informou que ela teria tentado agredir fisicamente a colega, sendo impedida pelos demais. De acordo com a senten\u00e7a, a auxiliar teria ultrapassado os limites aceit\u00e1veis \u201cdo que pode ser entendido como leg\u00edtima defesa\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Para TRT, as duas deviam ser punidas<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Tribunal Regional do Trabalho da 3\u00aa Regi\u00e3o (MG), por\u00e9m, reverteu a justa causa, destacando que, apesar do cunho racial das ofensas da auxiliar, foi comprovado que a outra empregada a ofendeu \u201ccom crit\u00e9rios tamb\u00e9m discriminat\u00f3rios, ao cham\u00e1-la de gorda\u201d. Para o TRT, a empresa deveria aplicar penalidades disciplinares a ambas as empregadas, mas n\u00e3o o fez. Por isso, a dispensa foi inv\u00e1lida por ferir o princ\u00edpio da isonomia.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Pr\u00e1ticas racistas devem ser reprimidas<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relator do recurso de revista da empresa, ministro Maur\u00edcio Godinho Delgado, assinalou que, embora as duas trabalhadoras tenham tido condutas reprov\u00e1veis, \u201cpr\u00e1ticas racistas devem ser fortemente censuradas e reprimidas\u201d. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, a aplica\u00e7\u00e3o da justa causa somente \u00e0 auxiliar n\u00e3o fere o princ\u00edpio da isonomia, porque sua conduta se enquadra como ato lesivo da honra praticado no servi\u00e7o contra qualquer pessoa. Segundo ele, a penalidade mais severa decorreu de seu comportamento faltoso grav\u00edssimo, \u201cmuito superior ao praticado pela outra trabalhadora\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Lourdes Tavares\/CF)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Processo:\u00a0<a tabindex=\"0\" href=\"https:\/\/consultaprocessual.tst.jus.br\/consultaProcessual\/consultaTstNumUnica.do?conscsjt=&amp;numeroTst=10446&amp;digitoTst=91&amp;anoTst=2022&amp;orgaoTst=5&amp;tribunalTst=&amp;varaTst=&amp;consulta=Consultar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">RR-10446-91.2022.5.03.0031<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Esta mat\u00e9ria \u00e9 \u00a0meramente informativa.<br \/>\nPermitida a reprodu\u00e7\u00e3o mediante cita\u00e7\u00e3o da fonte.<br \/>\nSecretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social<br \/>\nTribunal Superior do Trabalho<br \/>\nTel. (61) 3043-4907<br \/>\n<a tabindex=\"0\" href=\"mailto:secom@tst.jus.br\" data-senna-off=\"true\">secom@tst.jus.br<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Conte\u00fado de Responsabilidade da<br \/>\n<strong>SECOM\u00a0&#8211; Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>Email<\/strong>:\u00a0<a tabindex=\"0\" href=\"mailto:secom@tst.jus.br\">secom@tst.jus.br<\/a><br \/>\n<strong>Telefone<\/strong>: (61) 3043-4907<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora as ofensas fossem rec\u00edprocas, a 3\u00aa Turma considerou que o racismo justifica a puni\u00e7\u00e3o. Resumo: Uma auxiliar de desossa foi demitida por justa causa ap\u00f3s uma discuss\u00e3o com uma colega em que fez ofensas de cunho racial. 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