{"id":18977,"date":"2024-09-17T08:11:23","date_gmt":"2024-09-17T11:11:23","guid":{"rendered":"https:\/\/calabriabr.com.br\/?p=18977"},"modified":"2024-09-17T08:11:23","modified_gmt":"2024-09-17T11:11:23","slug":"entenda-julgamento-do-stf-sobre-criterios-para-fornecimento-de-medicamentos-de-alto-custo-supremo-tribunal-federal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/entenda-julgamento-do-stf-sobre-criterios-para-fornecimento-de-medicamentos-de-alto-custo-supremo-tribunal-federal\/","title":{"rendered":"Entenda julgamento do STF sobre crit\u00e9rios para fornecimento de medicamentos de alto custo (Supremo Tribunal Federal)."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise da mat\u00e9ria pelo STF leva em conta a limita\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos, a igualdade de acesso \u00e0 sa\u00fade e o respeito \u00e0 ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para definir a tese de repercuss\u00e3o geral do julgamento em que entendeu ser poss\u00edvel a concess\u00e3o judicial de medicamentos de alto custo em casos excepcionais, desde que observada uma s\u00e9rie de crit\u00e9rios e requisitos. O m\u00e9rito do Recurso Extraordin\u00e1rio (RE)\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=2565078\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=2565078\">566471<\/a><\/strong>, com repercuss\u00e3o geral (Tema 6), foi julgado em mar\u00e7o de 2020 e, agora, a discuss\u00e3o sobre a tese foi levada ao Plen\u00e1rio Virtual, na sess\u00e3o que vai at\u00e9 23h59 desta sexta-feira (13), mas foi interrompida por pedido de vista do ministro Nunes Marques.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para solu\u00e7\u00e3o consensual do tema, o STF criou uma comiss\u00e3o especial, composta por entes federativos e entidades envolvidas. Os debates resultaram em acordos sobre compet\u00eancia, custeio e ressarcimento em demandas que envolvam medicamentos n\u00e3o incorporados. Embora o caso concreto trate de medicamento de alto custo, as discuss\u00f5es evolu\u00edram para a an\u00e1lise da possibilidade de concess\u00e3o judicial de medicamentos registrados na Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), mas n\u00e3o incorporados ao SUS, independentemente do custo.<\/p>\n<h5 class=\"wp-block-heading\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Premissas<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tese que j\u00e1 obteve maioria no julgamento foi proposta em um voto conjunto dos ministros Gilmar Mendes e Lu\u00eds Roberto Barroso e se baseia em tr\u00eas premissas: a escassez de recursos e de efici\u00eancia das pol\u00edticas p\u00fablicas, a igualdade de acesso \u00e0 sa\u00fade e o respeito \u00e0 expertise t\u00e9cnica e \u00e0 medicina baseada em evid\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os ministros, os recursos p\u00fablicos s\u00e3o limitados, e a judicializa\u00e7\u00e3o excessiva pode comprometer todo o sistema de sa\u00fade. A concess\u00e3o de medicamentos por decis\u00e3o judicial beneficia indiv\u00edduos, mas produz efeitos que prejudicam a maioria da popula\u00e7\u00e3o que depende do SUS. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer pol\u00edticas e par\u00e2metros aplic\u00e1veis a todas as pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o voto conjunto, a concess\u00e3o judicial de medicamentos deve estar apoiada em avalia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas \u00e0 luz da medicina baseada em evid\u00eancias. Afinal, os \u00f3rg\u00e3os t\u00e9cnicos \u00e9 que t\u00eam conhecimentos especializados para tomar decis\u00f5es sobre a efic\u00e1cia, a seguran\u00e7a e a rela\u00e7\u00e3o custo-efetividade de um medicamento.<\/p>\n<h5 class=\"wp-block-heading\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Excepcionalidades<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta de tese define, como regra geral, que, se o medicamento registrado na Anvisa n\u00e3o constar das listas do SUS (Rename, Resme e Remune), independentemente do custo, o juiz s\u00f3 pode determinar seu fornecimento excepcionalmente. Nesse caso, o autor da a\u00e7\u00e3o judicial deve comprovar, entre outros requisitos, que n\u00e3o tem recursos para comprar o medicamento, que ele n\u00e3o pode ser substitu\u00eddo por outro da lista do SUS, que sua efic\u00e1cia est\u00e1 baseada em evid\u00eancias e que seu uso \u00e9 imprescind\u00edvel para o tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se todos esses requisitos forem cumpridos, caber\u00e1 ao Judici\u00e1rio, no caso de deferimento judicial do medicamento, oficiar aos \u00f3rg\u00e3os competentes para avaliarem a possibilidade de sua incorpora\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do SUS.<\/p>\n<h5 class=\"wp-block-heading\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Acordo<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outro recurso (<strong><a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=6335939\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=6335939\">RE 1366243<\/a><\/strong>), com repercuss\u00e3o geral (Tema 1234), em julgamento na mesma sess\u00e3o virtual, todo o Plen\u00e1rio j\u00e1 votou pela homologa\u00e7\u00e3o do acordo apresentado pelo ministro Gilmar Mendes a partir das discuss\u00f5es entre Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios para facilitar a gest\u00e3o e o acompanhamento dos pedidos de fornecimento de medicamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre outros pontos, ele prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de uma plataforma nacional para reunir todas as informa\u00e7\u00f5es sobre demandas de medicamentos. Isso deve facilitar a gest\u00e3o e o acompanhamento de casos e a defini\u00e7\u00e3o das responsabilidades entre Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios, al\u00e9m de melhorar a atua\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio nesse tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acordo define, ainda, quais s\u00e3o os medicamentos n\u00e3o incorporados (que n\u00e3o constam na pol\u00edtica p\u00fablica do SUS, medicamentos previstos nos protocolos cl\u00ednicos oficiais para outras finalidades, medicamentos sem registro na Anvisa e medicamentos off label sem protocolo cl\u00ednico ou que n\u00e3o integrem listas do componente b\u00e1sico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As demandas relativas a medicamentos n\u00e3o incorporados ao SUS, mas com registro na Anvisa, tramitar\u00e3o na Justi\u00e7a Federal quando o valor do tratamento anual for igual ou superior a 210 sal\u00e1rios m\u00ednimos. Nesses casos, os medicamentos ser\u00e3o custeados integralmente pela Uni\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o custo anual unit\u00e1rio do medicamento ficar entre sete e 210 sal\u00e1rios m\u00ednimos, os casos permanecem na Justi\u00e7a Estadual. A Uni\u00e3o dever\u00e1 ressarcir 65% das despesas decorrentes de condena\u00e7\u00f5es dos estados e dos munic\u00edpios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Suelen Pires e Virginia Pardal\/CR\/\/CF)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Supremo Tribunal Federal<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A an\u00e1lise da mat\u00e9ria pelo STF leva em conta a limita\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos, a igualdade de acesso \u00e0 sa\u00fade e o respeito \u00e0 ci\u00eancia. 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