{"id":18967,"date":"2024-09-12T07:53:13","date_gmt":"2024-09-12T10:53:13","guid":{"rendered":"https:\/\/calabriabr.com.br\/?p=18967"},"modified":"2024-09-12T07:53:13","modified_gmt":"2024-09-12T10:53:13","slug":"justica-do-trabalho-mantem-justa-causa-de-bancario-por-assedio-sexual-a-cliente-tribunal-regional-do-trabalho-da-23a-regiao-mt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/justica-do-trabalho-mantem-justa-causa-de-bancario-por-assedio-sexual-a-cliente-tribunal-regional-do-trabalho-da-23a-regiao-mt\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a do Trabalho mant\u00e9m justa causa de banc\u00e1rio por ass\u00e9dio sexual \u00e0 cliente (Tribunal Regional do Trabalho da 23\u00aa Regi\u00e3o &#8211; MT)."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A 1\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT\/MT) manteve por unanimidade a dispensa por justa causa aplicada a um banc\u00e1rio por ass\u00e9dio sexual a empregada de uma empresa correntista do banco. A decis\u00e3o foi tomada ap\u00f3s o trabalhador recorrer \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho pedindo a revers\u00e3o da penalidade.<\/p>\n<p>Segundo o relato da cliente, durante uma visita \u00e0 ag\u00eancia em mar\u00e7o de 2023, o banc\u00e1rio fez coment\u00e1rios sobre seu corpo, questionou sua vida sexual e sugeriu pr\u00e1ticas \u00edntimas. O ass\u00e9dio culminou em um toque inapropriado em sua m\u00e3o, seguido por um coment\u00e1rio de que n\u00e3o haveria diferen\u00e7a entre tocar sua m\u00e3o e partes \u00edntimas de seu corpo. Surpreendida, a cliente deixou o local, mas, dias depois, o banc\u00e1rio foi at\u00e9 o local de trabalho dela, momento em que ela decidiu gravar a conversa. Na grava\u00e7\u00e3o, a v\u00edtima advertiu o banc\u00e1rio a n\u00e3o mais se dirigir a ela,\u00a0 questionou o motivo da conduta dele e afirmou que nunca deu liberdade para as intimidades feitas anteriormente.<\/p>\n<p>Diante da den\u00fancia, o banco realizou uma investiga\u00e7\u00e3o interna e aplicou a demiss\u00e3o por justa causa por incontin\u00eancia de conduta e mau procedimento. O banc\u00e1rio acionou a Justi\u00e7a do Trabalho, pedindo a revers\u00e3o da penalidade, sob o argumento de falta de provas concretas. No entanto, a Vara do Trabalho concluiu que o banco agiu corretamente e decidiu pela manuten\u00e7\u00e3o da justa causa, levando o banc\u00e1rio a recorrer ao Tribunal.<\/p>\n<p><strong>Protocolos antidiscriminat\u00f3rios<\/strong><\/p>\n<p>Ao analisar o caso, o relator, desembargador Tarc\u00edsio Valente, destacou a aplica\u00e7\u00e3o, em julgamentos envolvendo den\u00fancias de ass\u00e9dio sexual, de regulamentos espec\u00edficos de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, incluindo o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de G\u00eanero, aprovado pelo Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), e o recente Protocolo para Atua\u00e7\u00e3o e Julgamento com Perspectiva Antidiscriminat\u00f3ria, Interseccional e Inclusiva, do Tribunal Superior do Trabalho (TST).<\/p>\n<p>Ambos os documentos orientam que o depoimento da v\u00edtima e as provas indici\u00e1rias recebam uma valora\u00e7\u00e3o especial em casos de ass\u00e9dio sexual, considerando que essas situa\u00e7\u00f5es muitas vezes ocorrem sem testemunhas e s\u00e3o classificadas como &#8220;viol\u00eancia invis\u00edvel&#8221;.\u00a0 Com isso, os protocolos preveem a readequa\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o do \u00f4nus da prova, levando em considera\u00e7\u00e3o as dificuldades inerentes de se obter comprova\u00e7\u00f5es diretas em situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio.<\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, explicou o relator, est\u00e1 garantida por diversos instrumentos legais, tanto no \u00e2mbito nacional quanto internacional. No Brasil, leis espec\u00edficas contra a viol\u00eancia e o ass\u00e9dio sexual, como a Lei Maria da Penha, refor\u00e7am essa prote\u00e7\u00e3o, assim como a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que consagra o princ\u00edpio da dignidade humana e faz refer\u00eancia expressa aos direitos das mulheres no artigo 5\u00ba, inciso I. Conforme lembrou o desembargador, a inclus\u00e3o dessa prote\u00e7\u00e3o na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 foi resultado da atua\u00e7\u00e3o da chamada &#8220;bancada do batom&#8221;, grupo de mulheres constituintes que lutaram pelo reconhecimento dos direitos femininos e pela redu\u00e7\u00e3o das desigualdades de g\u00eanero. \u201cBuscou-se combater, assim, a perpetua\u00e7\u00e3o de atitudes da cultura de inferioriza\u00e7\u00e3o do papel da mulher na sociedade, dos quais o ass\u00e9dio sexual \u00e9 ainda um triste resqu\u00edcio\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio internacional, o relator mencionou conven\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA) e da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) para a elimina\u00e7\u00e3o de todas as formas de discrimina\u00e7\u00e3o contra a mulher. Al\u00e9m disso, citou o Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel 5 da Agenda 2030 da ONU, que busca alcan\u00e7ar a igualdade de g\u00eanero e empoderar todas as mulheres e meninas no mundo.<\/p>\n<p><strong>Provas e condena\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ao analisar o caso, o relator lembrou que o ass\u00e9dio sexual pode ser identificado tanto em comportamentos repetidos, como pedidos de favores sexuais, chantagens e contatos f\u00edsicos, quanto em atitudes isoladas, desde que sejam de car\u00e1ter expl\u00edcito ou amea\u00e7ador, como toques inapropriados, tentativas de abuso e outros comportamentos ofensivos.<\/p>\n<p>No \u00e1udio gravado pela v\u00edtima, o banc\u00e1rio admitiu ter feito os coment\u00e1rios e comparou seu comportamento com o que teria com sua pr\u00f3pria filha, justificativa rejeitada pela cliente, que afirmou n\u00e3o haver qualquer rela\u00e7\u00e3o entre eles que justificasse tal tratamento.<\/p>\n<p>O desembargador ressaltou, ainda, que o banc\u00e1rio teve ampla oportunidade de defesa durante o inqu\u00e9rito administrativo conduzido pelo banco. Al\u00e9m disso, o acusado n\u00e3o negou os coment\u00e1rios de cunho sexual que fez \u00e0 trabalhadora da empresa cliente, justificando apenas que n\u00e3o teve a inten\u00e7\u00e3o de ser desrespeitoso. \u201cNa conversa gravada pela trabalhadora assediada, ele n\u00e3o negou que tenha proferido palavras de conota\u00e7\u00e3o sexual na presen\u00e7a da v\u00edtima, simplesmente afirmando que teria dito aquilo &#8220;de boa&#8221;, e que com a filha dele fala \u2018dessas quest\u00f5es\u2019&#8221;, pontuou o relator.<\/p>\n<p>Acompanhando o relator, os demais desembargadores da 1\u00aa Turma conclu\u00edram presentes os requisitos para a rescis\u00e3o do contrato e acertada a penalidade aplicada.<\/p>\n<p>(Aline Cubas)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Tribunal Regional do Trabalho da 23\u00aa Regi\u00e3o &#8211; MT<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 1\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT\/MT) manteve por unanimidade a dispensa por justa causa aplicada a um banc\u00e1rio por ass\u00e9dio sexual a empregada de uma empresa correntista do banco. 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