{"id":13510,"date":"2023-08-31T09:33:38","date_gmt":"2023-08-31T12:33:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.calabriabr.com.br\/?p=13510"},"modified":"2023-08-31T09:33:38","modified_gmt":"2023-08-31T12:33:38","slug":"na-falta-de-juizado-de-violencia-domestica-juizo-civel-pode-aplicar-medidas-protetivas-da-lei-maria-da-penha-superior-tribunal-de-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/na-falta-de-juizado-de-violencia-domestica-juizo-civel-pode-aplicar-medidas-protetivas-da-lei-maria-da-penha-superior-tribunal-de-justica\/","title":{"rendered":"Na falta de juizado de viol\u00eancia dom\u00e9stica, ju\u00edzo c\u00edvel pode aplicar medidas protetivas da Lei Maria da Penha (Superior Tribunal de Justi\u00e7a)."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), nas comarcas onde n\u00e3o h\u00e1 vara especializada em viol\u00eancia dom\u00e9stica, \u00e9 poss\u00edvel ao ju\u00edzo c\u00edvel aplicar as medidas protetivas previstas na Lei 11.340\/2006 (Lei Maria da Penha). Segundo o colegiado, a concess\u00e3o de medidas protetivas por ju\u00edzo c\u00edvel ajuda a prevenir, de maneira r\u00e1pida e uniforme, a viol\u00eancia praticada no \u00e2mbito dom\u00e9stico e familiar contra a mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s relatar diversas agress\u00f5es f\u00edsicas e morais do marido, uma mulher ajuizou a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio em vara c\u00edvel e requereu a ado\u00e7\u00e3o de medidas protetivas. A ju\u00edza deferiu\u00a0<span class=\"termo-glossario\" data-match=\"liminar\" data-termo=\"Liminar\" data-significado=\"Decis\u00e3o judicial provis\u00f3ria, em car\u00e1ter de urg\u00eancia.\">liminar<\/span>\u00a0para impor algumas medidas protetivas contra o r\u00e9u \u2013 entre elas, a proibi\u00e7\u00e3o de se aproximar da autora da a\u00e7\u00e3o e de sua casa.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Para o TJBA, falta de presta\u00e7\u00e3o jurisdicional poderia trazer preju\u00edzos irrevers\u00edveis<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oferecida a contesta\u00e7\u00e3o, outro magistrado foi designado para assumir a vara c\u00edvel, ocasi\u00e3o em que revogou a decis\u00e3o anterior, sob o fundamento que aquele ju\u00edzo n\u00e3o teria\u00a0<span class=\"termo-glossario\" data-match=\"compet\u00eancia\" data-termo=\"compet\u00eancia\" data-significado=\"Capacidade legal para julgar um processo ou tomar uma decis\u00e3o.  \">compet\u00eancia<\/span>\u00a0para aplicar medidas protetivas da Lei Maria da Penha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Tribunal de Justi\u00e7a da Bahia (TJBA) restabeleceu a medida protetiva de afastamento do lar, por entender que a falta da presta\u00e7\u00e3o jurisdicional poderia trazer preju\u00edzos irrevers\u00edveis \u00e0 mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No recurso ao STJ, o r\u00e9u alegou que o\u00a0<span class=\"termo-glossario\" data-match=\"ac\u00f3rd\u00e3o\" data-termo=\"Ac\u00f3rd\u00e3o\" data-significado=\"Ac\u00f3rd\u00e3o \u00e9 a decis\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o colegiado de um tribunal. No caso do STJ, pode ser das turmas, se\u00e7\u00f5es ou da Corte Especial.\">ac\u00f3rd\u00e3o<\/span>\u00a0do TJBA violou o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm#art33\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>artigo 33 da Lei 11.340\/2006<\/strong><\/a>, uma vez que, segundo esse dispositivo, a mulher deveria ter requerido a medida protetiva \u00e0 vara criminal da comarca, e n\u00e3o \u00e0 vara c\u00edvel, a qual seria incompetente para decidir a respeito.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Ju\u00edzo c\u00edvel pode conceder medidas protetivas para prevenir viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relator do recurso, ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, observou que a Lei Maria da Penha, visando dar cumprimento ao\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm#art226\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>artigo 226, par\u00e1grafo 8\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong><\/a>, trouxe diversos mecanismos para coibir a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, entre os quais est\u00e1 a previs\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o dos Juizados de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar, com\u00a0<span class=\"termo-intermed\" data-match=\"compet\u00eancia\">compet\u00eancia<\/span>\u00a0h\u00edbrida (criminal e c\u00edvel), nos termos do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm#art14\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>artigo 14<\/strong><\/a>\u00a0da lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ministro comentou que, enquanto n\u00e3o tiver sido instalado na comarca o juizado especializado em viol\u00eancia dom\u00e9stica, e n\u00e3o sendo o caso de demandar no ju\u00edzo criminal \u2013 como na hip\u00f3tese da a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio em julgamento \u2013, o ju\u00edzo c\u00edvel ser\u00e1 competente para processar e julgar o pedido de medidas protetivas, adotando provid\u00eancias compat\u00edveis com a jurisdi\u00e7\u00e3o c\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Deve-se, portanto, proceder a uma interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica do artigo 33 da Lei Maria da Penha, permitindo-se ao ju\u00edzo c\u00edvel a concess\u00e3o de medidas protetivas nessa hip\u00f3tese, a fim de proteger o bem jur\u00eddico tutelado pela norma, que \u00e9 justamente prevenir ou cessar a viol\u00eancia praticada no \u00e2mbito dom\u00e9stico e familiar contra a mulher, de maneira c\u00e9lere e uniforme&#8221;, declarou.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Pedido do marido est\u00e1 em desacordo com o escopo da Lei Maria da Penha<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bellizze explicou que, a prevalecer a interpreta\u00e7\u00e3o defendida no recurso, a v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica teria que ajuizar a a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio no ju\u00edzo c\u00edvel e pleitear as medidas cautelares perante o ju\u00edzo criminal, tendo em vista a falta do juizado especializado na comarca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ministro ressaltou que essa interpreta\u00e7\u00e3o est\u00e1 totalmente em desacordo com o objetivo da Lei 11.340\/2006, que \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o da mulher, &#8220;podendo gerar, inclusive, decis\u00f5es contradit\u00f3rias em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio reconhecimento da pr\u00e1tica de atos que configuram a viol\u00eancia dom\u00e9stica, o que n\u00e3o se pode admitir&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), nas comarcas onde n\u00e3o h\u00e1 vara especializada em viol\u00eancia dom\u00e9stica, \u00e9 poss\u00edvel ao ju\u00edzo c\u00edvel aplicar as medidas protetivas previstas na Lei 11.340\/2006 (Lei Maria da Penha). 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