{"id":10967,"date":"2023-02-13T09:14:10","date_gmt":"2023-02-13T12:14:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.calabriabr.com.br\/?p=10967"},"modified":"2023-02-13T09:14:10","modified_gmt":"2023-02-13T12:14:10","slug":"terceira-turma-reverte-decisao-de-juiz-que-mandou-afastar-bebe-da-mae-ainda-na-maternidade-superior-tribunal-de-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/calabriabr.com.br\/en\/terceira-turma-reverte-decisao-de-juiz-que-mandou-afastar-bebe-da-mae-ainda-na-maternidade-superior-tribunal-de-justica\/","title":{"rendered":"Terceira Turma reverte decis\u00e3o de juiz que mandou afastar beb\u00ea da m\u00e3e ainda na maternidade (Superior Tribunal de Justi\u00e7a)."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, determinou que um rec\u00e9m-nascido seja devolvido \u00e0 m\u00e3e, ap\u00f3s o juiz de primeiro grau decretar que ele fosse encaminhado para casa de acolhimento. Segundo o colegiado, o deferimento da tutela de urg\u00eancia para ordenar a busca e apreens\u00e3o do beb\u00ea, anterior ao seu nascimento, foi prematuro e n\u00e3o observou os preceitos legais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na origem do caso, o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Santa Catarina ajuizou a\u00e7\u00e3o de destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar, cumulada com pedido de medida protetiva de acolhimento institucional, contra uma mulher gr\u00e1vida e a favor dos interesses do beb\u00ea ainda n\u00e3o nascido. Segundo o \u00f3rg\u00e3o ministerial, a gestante pretendia entreg\u00e1-lo a uma prima e \u00e0 sua companheira para ado\u00e7\u00e3o, sem respeitar a ordem dos candidatos registrados no cadastro de adotantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi deferida a tutela de urg\u00eancia para determinar a busca e apreens\u00e3o do beb\u00ea assim que nascesse, ainda no hospital, com a suspens\u00e3o do poder familiar da m\u00e3e e a proibi\u00e7\u00e3o de contato entre ela e a crian\u00e7a. A medida tamb\u00e9m concedeu, excepcionalmente, a guarda do rec\u00e9m-nascido ao primeiro casal habilitado na fila de ado\u00e7\u00e3o. Logo depois do parto, a crian\u00e7a foi encaminhada \u00e0 institui\u00e7\u00e3o de acolhimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3e alega que, posteriormente a esses fatos, conseguiu emprego e decidiu cuidar do filho.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Disposi\u00e7\u00e3o de dar a crian\u00e7a deve ser investigada por equipe profissional<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relator do caso no STJ, ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, observou que, nos termos do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm#art19A\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>artigo 19-A do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA)<\/strong><\/a>, a m\u00e3e pode manifestar o desejo de entregar seu filho para ado\u00e7\u00e3o antes mesmo do parto, mas, nesse caso, ela deve ser encaminhada \u00e0 Justi\u00e7a da Inf\u00e2ncia e da Juventude para que seja ouvida por uma equipe profissional, a qual levar\u00e1 em conta eventuais efeitos do estado gestacional e puerperal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o ministro, se \u00e9 garantido \u00e0 genitora o direito de manifestar sua inten\u00e7\u00e3o de entregar o filho \u00e0 ado\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se mostra aceit\u00e1vel que o Poder Judici\u00e1rio, em tutela de urg\u00eancia, em cogni\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria, determine a retirada abrupta do rec\u00e9m-nascido do acolhimento materno, nos momentos seguintes ao parto, mesmo que se considere a ilegalidade da pretens\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o\u00a0<em>intuitu personae<\/em>\u00a0(quando os genitores escolhem os adotantes, sem respeitar a fila de pretendentes cadastrados).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Importante deixar assente que n\u00e3o houve nenhum ato concreto de preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade do menor, nem mesmo potencial, pois ainda que a entrega do rec\u00e9m-nascido \u00e0 prima e \u00e0 sua companheira tivesse ocorrido de forma irregular, dever-se-ia aguardar o nascimento e a sua efetiva ocorr\u00eancia, tendo em vista a maternidade ser capaz de modificar os sentimentos de qualquer ser humano&#8221; afirmou o relator.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Tutela de urg\u00eancia impossibilitou norma do ECA que privilegia fam\u00edlia natural<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bellizze destacou que caberia ao ju\u00edzo cumprir a determina\u00e7\u00e3o legal e, primeiramente, encaminhar a m\u00e3e \u00e0 equipe profissional para que fossem investigados os motivos de sua disposi\u00e7\u00e3o de entregar o filho. S\u00f3 depois disso \u00e9 que poderiam ser tomadas outras medidas, em respeito aos princ\u00edpios da prote\u00e7\u00e3o integral e do melhor interesse da crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relator ressaltou que a crian\u00e7a tem o direito b\u00e1sico de ser criada em sua fam\u00edlia natural \u2013excepcionalmente, em fam\u00edlia substituta. Para ele, a retirada extempor\u00e2nea do beb\u00ea da guarda da m\u00e3e, inclusive com a proibi\u00e7\u00e3o de contato entre ambos \u2013 decis\u00e3o que considerou &#8220;ilegal e\u00a0<span class=\"termo-glossario\" data-match=\"teratol\u00f3gica\" data-termo=\"Teratol\u00f3gica\" data-significado=\"Teratologia \u00e9 o estudo das anomalias cong\u00eanitas, das deforma\u00e7\u00f5es. No meio jur\u00eddico, chama-se de teratol\u00f3gica uma decis\u00e3o absurda, juridicamente aberrante.\">teratol\u00f3gica<\/span>&#8221; \u2013, inviabilizou por completo o cumprimento da norma segundo a qual devem ser tentados todos os meios poss\u00edveis para manter a crian\u00e7a em sua fam\u00edlia natural (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm#art39\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>artigo 39, par\u00e1grafo 1\u00ba, do ECA<\/strong><\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, determinou que um rec\u00e9m-nascido seja devolvido \u00e0 m\u00e3e, ap\u00f3s o juiz de primeiro grau decretar que ele fosse encaminhado para casa de acolhimento. 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